Não quero passar pela vida, quero vivê-la.



Lembro da minha tranquila adolescência, em que a maior parte do tempo era sem nenhuma preocupação comparado ao agora, a não ser de estudar e tirar notas boas. De me preparar para a faculdade e etc... Não existia todas essas infinitas redes sociais, não existia todo esse turbilhão de informações que recebemos por dia. A coisa era mais calma, serena...
Hoje, o tempo parece que mudou, estou sempre com a sensação de que estou correndo e correndo, mas a linha de chegada parece cada vez mais longe. Sinto-me cansada, saudosa da simplicidade que carrega meu passado. Não importa o quanto eu trabalhe, estude, tenha um hobbie, nunca parece o suficiente diante do que o ser humano é capaz de conquistar.
Sim, todo mundo cai um dia nessa onda de se comparar. E muitas vezes a comparação é muito injusta, porque tudo o que é postado nessas redes, são filtrados mil vezes antes. Muitas vezes, filtrados com meras mentirinhas sociais. Dessas que as pessoas passam a ter o hábito para se sentir aceito na rodinha dos amigos.
Nós nos esquecemos de nos lembrar dessa façanha que vivemos. Esquecemos de conversar conosco mais vezes, de colocar na cachola que a vida real é muito diferente da invenção que colocaram dentro de um dispositivo móvel e inteligente.
Que aqui, em terras firmes, existem desafios diários conquistados pela força de quem é humano, de quem é de carne e osso. Que todos nós na verdade somos vítimas de nossas próprias vontades fantasiosas. E que ninguém tem culpa no meio disso tudo.

Já não acordamos mais para apreciar a vista tomando um café gostoso, já não olhamos tanto para o céu, já não agradecemos mais como antes. Não olhamos nos olhos de quem amamos, e nem ouvimos direito o que o outro tem a dizer. Só queremos ser vistos, ser ouvidos, nós, nós... E só resta essa luta pelo nosso ego completamente distorcido.

Eu cansei, cansei fisicamente e emocionalmente. Faz tempo que reduzi meu tempo nessas redes, faz tempo que fico sem querer saber o que meus amigos andam postando o tempo todo. Faz tempo que não faço algo por pressão, faz tempo que desisti de disputar, mesmo que indiretamente. Faz tempo que não conto mais as horas, faz tempo que não me culpo por estar envelhecendo sem conquistar o mundo. Faz tempo...

Eu quero a calmaria de todas as manhãs, sendo feliz com as coisas simples, amando-me do jeito que sou. Quero correr atrás dos meus sonhos sem que o mundo lá fora interaja aqui dentro. Não quero saber mais de todas as noticias do mundo. Se eu quiser saber vou procurar sem pressão, mas se não estiver a fim, tenho certeza que continuarei vivendo e acredito que até melhor.

Não quero passar pela vida, quero vivê-la.
Não somos obrigados a ser tudo o que dizem que devemos ser. Nunca nada será suficiente para o mundo, porque ele está doente, precisa preencher constantemente sua alma vazia.
Eu decidi escolher preencher minha alma com Deus e com a arte que Ele me deu. Sem pressa, serena, e abraçando as oportunidades que me vier sem que elas queiram roubar de mim o que mais prezo, minha alma.