Acerca do consumismo literário



Ser escritor é mais do que levar histórias ao mundo. É ter a responsabilidade de mover o ser humano através de uma "manipulação" direta ou indireta da qual sua formação dependerá do que seu tempo é gasto. E sim. Quem ler algum livro, ler também as ideias e conceitos do autor. É uma aprendizagem indireta que reflete muito na personalidade a ser formada ou modificada com certos pontos de vistas assimilados ao amadurecimento.
Colocamos no papel aquilo que conseguimos aprender na vida, nos estudos e muitas vezes em influências externas. A responsabilidade do escritor tanto quanto do leitor passa a ser algo maior do que se imagina, afinal; se começarmos a refletir sobre o que tem nos motivado ou não a ser da maneira que somos no momento presente, observaremos que pelo menos 30% é parte do que nosso inconsciente associa ao que consumimos através do que lemos, e muitas vezes do que levamos ao leitor também.

Quando o autor escreve, na maior parte das vezes, ele ainda não assimilou todo o contexto. É comprovado que aprendemos com nossas próprias ideias e conceitos. Por isso, livros não podem ser definidos. Apenas sua parte genérica. Mas jamais seus pontos de vistas. 

O autor por sua vez, necessita da escrita para uma alta avaliação e busca pelo aprendizado constante; pois, escrever ajuda na compreensão do que é enviado ao receptor que neste caso, seria o leitor.
Por este motivo, percebemos o quanto podemos estar equivocados ou mesmo abertos a pensamentos, intuições, elevações do inconsciente quando passamos a ler e somente concordar com os fatos descritos, ao invés de criarmos perguntas que nos ajudem a compreender melhor não só o motivo pelo qual nos faz aceitar no presente aquele tipo de informação, como também a avaliar se de fato estamos (no profundo de nossa identidade) de acordo com o que andamos recebendo através da leitura.
Não podemos esquecer que cada avaliação é completamente individual, justamente por sermos seres individuais. Não é correto impor nossas ideais como uma verdade absoluta para todos no conceito de percepção do que pode ou não nos influenciar ou até mesmo nos formar como cidadãos. Podemos influenciar, mas jamais impor com violência o que achamos de determinadas ideias, conceitos e crenças. Como antes dito, o que forma e transforma nossa personalidade é algo muito subjetivo; porém, através do bom senso comum e único, conseguimos obter ajuda de uma bússola interna de nossa forma de ver e lidar com o mundo sem desrespeitá-lo. 
Questionar o que se escreve e o que se lê é algo que independente do que você acredita, deve se tornar um hábito. E este hábito formará pessoas mais conscientes de seus próprios valores, de suas identidades; pronta para reclamar se necessário seus direitos de cidadão na sociedade atual, além de poder cumprir com suas obrigações de uma maneira que não se torne um fardo para a massa global.

Um dos maiores exemplos é a liberdade de expressão que todos possuímos. Eu, por exemplo, uso este blog como mecanismo de comunicação sobre aquilo que acredito ser verdadeiro, como meu ponto de vista sobre a vida, sobre a sociedade e sobre até mesmo minha crença. A maneira como uso este atalho, consideravelmente é para influenciar, mas nunca sem antes fazer o leitor pensar a cerca do que escrevo. Como poderia convencê-lo de forma natural e plena sobre o que aprendi e desejo passar adiante, se uso o que escrevo sem dar valor ou direito ao meu leitor de questionar e se aperfeiçoar nas buscas de quem de fato deseja aprender, para construir uma ideia sólida sobre as informações desenvolvidas por mim?

Definitivamente, não sou eu quem convenço.

Leia e escreva com responsabilidade. Nós somos o que consumimos e levamos ao mundo.

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