Quando os momentos crescem em mim...



Quando a chuva cai e eu escuto seu toque bater sobre as janelas, observo o quanto de tempo fiquei perdida em meus pensamentos, tentando entender o porquê de eu ainda estar aqui.
A vida parece estranha para mim desde que eu me entendo por gente, mas é mais uma forma estranha boa, se é que isso existe. Eu simplesmente não consigo encará-la da mesma maneira que muitos encaram; eu não consigo passar por ela sem antes observar nos mínimos detalhes cada coisa que ela me traz, e talvez isso me transforme em um ser humano aparentemente alienada e fraca para a sociedade ilustradora de sonhos feitos de açúcar. Basta molhar e você verá tudo se desfazer diante de você.
Eu me sinto de alguma forma diferente. Mas, é uma sensação libertadora na verdade. Eu não ia querer ser feita para ser programada sem ao menos ter alguma sensação dentro de mim, meu sangue correndo entre minhas veias, meu fôlego enchendo meus pulmões, meu coração disparando e enchendo meu estômago de borboletas metafóricas, os cabelos dos braços arrepiarem diante de um beijo no pescoço. Essas coisas...
Às vezes, me vejo em cima de uma montanha em frente a um oceano gigante, convidando-me a pular, a me entregar; quando me pego na realidade dançando com o vento, brincado de cai ou não cai... acho que não vejo gravidade naquilo que considero bonito, independe de como será, com queda ou simplesmente aquela sensação de quase queda. E se eu cair, as águas com certeza me receberá com carinho, desde que eu não lute contra ela.
Ei, isso não é uma forma suicida de pensar, calma, ok?
É só uma forma de tentar compreender aquilo que sempre esteve debaixo do seu nariz e você e mais o mundo todo não viu. A essência da vida, a conexão que todos temos com ela... é disso que eu estou falando. Porque de fato, sei que um dia nada disso irá me machucar, nada irá me destruir, eu serei a doce menina que correrá no paraíso, livremente, e passarei por todos os lugares inimagináveis sem sentir qualquer tipo de dor, somente amor.
Cheguei ao ponto chave, felizmente. Pois é do amor que estive falando desde o começo, mas só quem se liga nos detalhes que passam despercebidos conseguem sentir a candura de algo tão penetrável e ao mesmo tempo tão esquecido por todos.

E se mesmo assim, me acharem louca, vou considerar como um elogio...

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