Conversa: Exposição na Internet



Hoje eu venho falar sobre um assunto que me incomoda muito. Eu já havia escrito algo relacionado a internet e suas armadilhas para conosco, clique aqui para ler, porém, hoje, falarei mais abertamente, inclusive dos meus sentimentos em relação a isso.
Como vocês já podem ter percebido pelo título deste texto, eu venho aqui falar um pouco do povo que se expõe demais na internet.
Todos os dias eu abro meu "facebook" ou "instagram" e logo vejo tamanha exposição. Gente xingando o outro, gente mostrando onde está (e ainda marca no Google maps) para facilitar. Gente falando abertamente de todas as coisas que ocorreram, ocorrem e se (for vidente) fala até do que ocorrerá e em tempo real, como a "#aovivo".
Como se já não fosse o bastante, expõe seus filhos (que não podem se defender), seus pais, maridos, esposas, avó, avô e até o animal de estimação (não que você não possa colocar nada deles). Vejam bem, exposição é bem diferente de uma foto bonitinha que você tira e posta, ou de uma comida que você acha gostosa e tira uma foto e põe para compartilhar com quem você ama.
Eu não falo do uso em si da internet, mas sim, do uso abusivo e sem limites dela.
Assim como eu, muitas pessoas que conheço expõe um pouco daquilo que gosta afim de compartilhar de forma moderada com a sociedade seus gostos e prazeres. Isso é muito diferente de você expor por completo sua vida. Veja a diferença, essa semana comi um prato delicioso de Yakisoba e quis compartilhar com meus amigos esse momento, porém, vejo gente colocar o que come todos os dias e horas possíveis (e mais uma vez, ainda diz onde e como está comendo). Isso é um perigo! Só que a sociedade, o "povo" estão muito alienados.
A necessidade de estar online o tempo todo, e de ser visto o tempo todo tiram o bom senso de suas cabeças. A internet dá a falsa sensação do "ser famoso" por tamanhos de seguidores que a pessoa possui e a impedem de olhar para a sua própria vida, para seus talentos inativos e corrompidos por desgaste do tempo nestas redes.
Viajam mais que o necessário, gastam mais que o necessário, e tudo isso para provar a quem não é bobo o quão vazios estão ou são.
E quando não conseguem a "tal fama", vivem a criticar o estilo de vida alheio, e acaba se expondo mais ainda, como por exemplo, seus defeitos, seus medos e até mesmo inveja.
Existem dois tipos de exposição, aquela em que você só quer ser visto com uma vida “perfeita” que não existe e aquele que fala tudo de tudo um pouco relacionado a ele (incluindo ir ao banheiro) What? Sim, caros. Até isso eu já vi por aqui.
Vamos para a primeira classe: Os Ostentadores!
Não estou dizendo de fotos na praia, ou uma visita em um museu, ou uma selfie linda com seus olhões azuis ou fotos de viagens moderadas, bacanas, etc... Não! Never! Ao contrário, quanto mais compartilhar cultura, ser social e etc... Melhor fica nosso País! Eu falo de viagens exageradas (totalmente exacerbadas), de carros, casas, uma vida dentro dela "de faz de conta" se é que me entendem, roupas de grifes e tudo o mais em EXAGERO! Como um grito apavorante dizendo: Olha eu aqui! Please! – Mas o que me incomoda mais é o motivo real dessa exposição – que nada mais é do que – pisar, criar dualidades, aumentar a desigualdade social em vez de juntar as classes. O jeito charmoso de ser discreto, criativo, sem precisar exagerar só mostra o quão de fato esta classe é vazia e inútil sem suas “coisas”.

Já a segunda classe dos expositores, não é necessariamente o contrário, vai depender de quem é quem. A diferença está no modo de agir, como por exemplo, esses nem se importam se querem moldar uma vida perfeita numa rede social, o que até aí não vejo mal algum. Porém, eles vacilam quando tudo, absolutamente tudo é contado nas redes, incluindo a vida de quem são seus amigos, todo mundo, de alguma forma acaba envolvido, o que é muito chato.
“Hoje eu estou triste!”. “Vou ao banheiro e já volto!”. “Estou angustiado porque aconteceu isso e isso e mais isso na minha vida, please, sintam pena de mim...”. “Meu filho comeu isso e aquilo no almoço de hoje, eu levei ele para tal lugar e uma pessoa me disse isso e aquilo e eu respondi isso e aquilo.”. “Meu café da manhã foi isso, e vou almoçar aquilo”. “Você é uma vad**, e seu esposo é um vi**”. “Você não conhece minha vida, não sabe um terço do que passei, passei por isso e aquilo e hãn, você quer meu telefone, endereço e horários que estou em casa? “Ah, passa ai seu whatszap!”. Comendo pizza com minha sogra e marido no shopping tal e – AINDA MARCA O LOCAL NO GOOGLE”.  Tudo isso aberto para todo mundo ver. Aff... Cansei.
Bom, eu acho que vocês entenderam...

Conclusão: Todos nós, seres humanos, temos dias bons e ruins. Temos fases assustadoras em certa parte de nossas vidas e temos épocas tão zen como a brisa. Passamos por perrengues – muitas vezes, sacrificando algo em prol de outro -; também temos nossa época de só festas e saideiras, outras de muito trabalho que até se esquece o que é festa. Temos tempo de só money e outros de “Putz! Estou zerado (a não ser que você seja rico, rsrsrs)!”. Temos amores, temores, sentimentos misturados fazendo-nos parecer bipolar. Temos sorrisos ou lágrimas, amor ou ódio, admiração ou inveja. Temos viagens, ou temos só casa. E assim vai... Se sofremos por algo, pode ter certeza que tem milhares de gente passando pelo mesmo. Se passamos por alegria, assim seja o mesmo.
O que importa é que deixem a razão dominar seus cérebros, e a emoção seus corações, cada um em seu lugar, da forma exata, em quantidades significativas. Passou da zona de conforto, volta lá e concerta.
Não existem vidas perfeitas! Pode existir fases perfeitas, mas uma vida inteira, não. Somos todos de carne e osso, sentimos dores, tanto física quanto emocional, e porque não espiritual? Também somos espírito. Temos que aprender a passar nossa essência aos outros, seja ela num trecho de livro, num momento raro, ou numa música, mas sem exageros.
Não precisamos provar nada a ninguém! Porque o outro que te assiste é tão carne quanto você; o que o torna incapaz de lhe julgar.
Mesmo que existam gente que o julgue, deixem julgar. Não precisa provar. Simplesmente seja o aqui e o agora para você mesmo, e ponto.
Não pense que a vida de fulano é perfeita porque está em Nova York, porque não é! Quem disse que ele não está passando por grandes perrengues lá, para tentar provar aqui “o quanto ele venceu na vida!”. Sério? O que é vencer na vida? O que é ser bem-sucedido? O que é sucesso? Pense nisso, mas não como a mídia impõe para você, mas sim, como seu coração vê. Tem gente pobre, muito mais feliz que muitos ricos dentro de seus jatinhos particulares. (Não estou generalizando!) E sabem por que? Porque o pobre, mesmo sabendo que algumas coisas pareçam impossíveis, tem ainda objetivos na vida, traçam metas para crescer. E quem já está lá? Já tem tudo, tudo mesmo. O que esperar? – Apenas deviam pensar em se reinventar e estender as mãos aos que não tem.
Então, são coisas que não paramos para pensar, só paramos para analisar nossa vida com a de quem sempre parece estar “acima” de nós, quando na maioria das vezes é tudo mentira.
Você pode ser feliz tendo um pouco de tudo, e tudo de nada. Você é que faz a sua história, você é que traça seu objetivo, seu sonho. É você que sangra por ele.
Então, vamos nos resguardar mais, nos focar em coisas que estão aqui fora, dizer mais “eu te amo” sem que o mundo saiba disso.
Vamos compartilhar coisas que amamos para o crescimento e não a destruição alheia. Vamos tolerar mais, divulgar menos aqueles que são pequeninos, eles terão uma vida quando crescer, o que será que eles vão achar de tudo isso? Acho que toda vida merece ser respeitada, mesmo não tendo ainda consciência disso.


Espero que você tenha chegado até o fim deste texto, eu o escrevi de coração para todos os vossos corações.

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