Vítimas do Medo


Já perdi amigos por causa da inocência de não saber o que se prossegue a cada ato escolhido. E sofri muito a perda de todos eles. São anjos para mim, que jamais esquecerei. Eles tiveram o mesmo destino, a morte. Mas, não o mesmo caminho para ela. Ambos partiram pela causa dos acidentes, e nós não podíamos mais fazer nada, somente seguir em frente e confortar suas famílias. Nos consolamos no fato de pelo menos, enquanto havia vida neles, nossos conselhos foram dados.
É doloroso? É revoltante? Sim, mas nada se compara a um assassinato.
Jovens são mortos diariamente nos bairros que nasceram e cresceram; o direito de ir e vir é só uma ilusão que a política descarada implantou em nossos corações. Hoje não temos o direito é de viver. Somos vitimados pelo medo, sendo obrigados a nos prender em nossas jaulas falsamente protetoras, a fim de um fio de esperança pela tão esperada paz e liberdade. Pois, o que é da liberdade sem a paz? Ela é nula, uma utopia. Sem a paz, a nossa liberdade não passa de um conto de fadas contado por nossos pais com o propósito de aliviar nossas dores nessa prisão psicológica causada pelo medo e dor.
A vida não pode parecer muito importante para os assassinos cruéis. Talvez algo muito mais profundo do que o vazio, possuam suas mentes, até mais do que o ódio e a ganância.
Sinceramente, em seus corações só podem possuir um sentimento de confusão tamanha que absolutamente mais ninguém consiga entender o que se passa na mente de pessoas como essas.
Pois, passaram do sentido “cruel” para algo muito mais profundo e inquietante. Talvez seja normal, uma simples diversão. Mas, será que eles entendem a dor que causam, a destruição que distribuem? Será que eles nunca pensam, uma vez se quer, que um dia, como todos nós, estaremos mortos e esquecidos.
Será que alguma vez, algum desses assassinos se perguntaram como seria sua recompensa, aqui mesmo na Terra? Em como as consequências de um ato horrendo como este cairia sobre si?
Pois, há uma certeza. A Justiça existe, mesmo que venha de um lugar excelso, das mãos de Deus; não tenham dúvidas, ela existe. E não há maldade que não pague suas consequências.

Com qual direito o ser humano rouba a vida do outro? Entra, invade, e mata?
Será que eles não percebem que quando levam a vida de alguém, também estão levando partes de todos os que os amam?
Assim como uma casa bonita e erguida em seus fundamentos, quando se quebra uma de suas paredes, tudo é modificado, é mexido, (d)estruturado; assim é com a família dos que perderam injustamente seus amados, ela precisa conviver sozinha com a falta, o vazio, a saudade.
Precisam se adaptar por sobrevivência aquilo que era o oposto de todos os teus sonhos. Nada é mais como antes, todos os planos e sonhos são destruídos. É necessário que aprendam a se levantar, mas, não significam que devem ser sozinhos.
É obrigação nossa, como ser humano, ajudar a todos que sofrem desta perda terrível, pois, a morte é aleatória, não sabemos de nossos destinos. Ajudá-los a vencer esse terrível pesadelo e a reerguer uma parede ainda mais forte dentro de si, para que possam seguir em frente, para que possam sorrir novamente, sonhar e alimentar cada caminhada dos pés descalços e desolados que cada um tem sofrido, é o mínimo que podemos fazer.



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