Além da Guerra


A guerra, seja ela qual for, sempre será um campo de batalha banhado em sangue e sofrimento. Uma marca na alma dos sobreviventes, um final trágico e cruel àqueles que não mereciam morrer daquela maneira.
Mas, quem merece morrer, seja qual for a maneira?
A vida é uma virtude, por isso nos apegamos tanto a ela. Da mesma forma que ela é tão frágil como um lírio no campo banhado sobre o sereno da noite. Sempre queremos ter a certeza de que será possível nosso retorno a este mundo, ou a um mundo melhor; é doloroso ter que pensar em partir e saber que só esses míseros anos de vida foram tudo o que lhe deram para desabrochar e simplesmente existir. Queremos que nossa existência se perpetue, em vez de ser extinguida e humilhada pelo tempo, tempo esse que passa tão rápido que parece chegar a debochar de nós, de nossas sobrevivências sob um céu feito de um azul infinito que nos convida a imortalidade de nossas almas. Tempo este que não nos deixa concluir nossas missões e sonhos, pois eles são infinitos, e muitas vezes impedidos por nossos problemas, dores, crueldades que habitam em milhares de seres humanos como devoradores de sonhos, de vitalidades, valores e bondades; algo que contradiz por completo nossa existência, algo feito para subsistir em cima daqueles que só querem se aperfeiçoar e liderar a esperança e fé no coração dos que já as perderam.
Além das dores das incertezas da vida, assistindo ao documentário sobre o Holocausto, que me fez observar vários detalhes deste texto, pude perceber o quanto de nossas dores podem ser uma influência forte para nossas reais personalidades brotarem.
Muitos dos sobreviventes relataram ser pessoas “mimadas” e “rancorosas”, como todo ser humano “primata” – (aquele que pensa saber tudo da vida) e ao sair de lá, em meio a tanta maldade e dores profundas, perceberam que de dentro deles haviam brotado o bem, ele havia se enraizado de uma forma que até hoje seria impossível arrancá-lo dos corações de cada um deles.
Como pode o bem nascer em um meio onde só se vê o ódio?
Isso prova que nossa existência foi feita para o bem, para o amor; que só uma mente cega de ódio, incapacidade, frustação e etc... seria capaz de romper nossa real natureza. Prova também o quanto as lutas e desafios em nossas vidas podem e devem nos tornar pessoas melhores, maduras e confiantes naquilo que acreditamos, naquilo que somos, naquilo que poderemos ser ao alcançar mais uma vez a lucidez de nossos problemas. Quando aprendemos a contorná-los e nos valorizarmos em vez de nos compararmos uns com os outros como uma competição infantil. De aprender a saber qual é o nosso real valor, de que não é necessário ser como ninguém para tê-los e sim sermos nós mesmos para tornarmos únicos e verdadeiros.


Um dia nossa vez chega, e chega de uma forma tão excelente, que parecemos estar ganhando um presente, que só o tempo e o amor pôde se encarregar de trazê-lo.

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