O Tempo Voa

Não fazia nem uma semana que eu estava cantando parabéns pelo meu aniversário de 25 anos, ou dedicando os livros de Desolada no meu lançamento.
Cortei a frajinha e percebi que ela agora já está quase no ombro. A pilha de pesquisas só cresce cada vez mais a cada dia que acordo e decido o que irei estudar, eu leio e releio tudo o que escrevo e nunca encontro um tempinho para reescrevê-los.
A planilha no Excel já está uma bagunça, as agendas de 2015 totalmente preenchidas. Os app de agendamentos do celular já estão dando panei, documentos que precisam ser regularizados sempre são postos de lado. Eu já entro num local e não consigo reconhecer tão rápido as pessoas que passaram pela minha vida neste ano de 2014, tento disfarçar, mas caio na minha própria armadilha de não ter tido TEMPO para fixar algo em minha cabeça que me faria lembrar.
Pois é, livros empilhados, rascunhos e rascunhos feitos a mão, livros sendo escritos, aulas sendo tomadas, pesquisas sendo feitas e daí eu percebo que minha mãe vem com uma caneta e um bloco de anotações nas mãos para organizar a festa de natal comigo! Natal?! Pera ai? Mas, ontem era... Um suspiro é solto de leve, quando percebo que o tempo simplesmente criou asas e voou e eu estava sorridente à toa achando que toda a minha vida estava sobre controle. Não! Eu não estava sorrindo à toa, sinto-me aliviada quando lembro de todos os frutos que colhi e continuo colhendo graças ao meu trabalho árduo. Por todas às vezes em que fui corajosa e o deixei de canto para cair na estrada com meu marido, afinal, eu sou humana e estou sempre em busca de coisas que me inspiram. Mesmo que no fundo meu coração peça para ficar, além do mais, meu trabalho é minha paixão, nele sou completa; todo esse esforço, por mais doloroso que seja, não passa de acumulações de prazeres que eu tive e que continuo tendo.
Dou um leve sorriso para a minha mãe e procuro em minha mente um prato que eu poderia fazer que agradaria a todos, logo mais montamos a árvore de Natal e decoramos a casa. E eu percebo que continuo sorrindo, que tem coisas muito lindas me esperando ainda, porque eu aprendi, mesmo ao meio da correria dar um tempo para as pequenas coisas, apreciá-las, aceitá-las em minha vida, justamente para não deixar de viver plenamente.
Porque a vida que temos é uma só, e se não é vivida com toda a sua plenitude, você simplesmente provará a si mesmo o quanto foi indigno dela. Não importando as dificuldades, não importando as pedras que colocam em seu caminho. É mais que obrigação nossa sermos gratos por absolutamente tudo que recebemos. Inclusive saber que os anos passam, mas não em vão, levamos com ele uma bela dose admirável de sabedoria e admiração.

1 comentários

  1. Meu anjo,olha a correria.A pressa é inimiga da perfeição.Mas claro,esta correndo atras daquilo que mais lhe preenche que são suas escritas.
    Parabéns por mais um lançamento.

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