Cacos Pelo Chão





O toque do relógio soa. É hora de recolher os cacos pelo chão, afinal, a magia acabou e tudo se fez morto. 

Aqueles olhos, aqueles olhos, aquela boca que nunca poderei saborear novamente. Seu toque frio e distante de minha face, uma bela utopia do amor impossível... Um belo fragmento riscado em um papel amaçado, borrando as letras de seu nome com as lágrimas que caem dos meus olhos... Naufragando-me. E eu recolho o que restou do meu coração quando ele fora estilhaçado. Tentando juntar os pedaços, tentando parar a dor de uma ilusão desmedida, uma loucura inquietante de minha mente, sem que ele possa imaginar o tamanho de todo esse sentimento.

Mas ele partiu, deixando um grande buraco dentro do meu peito, asfixiando-me pela dor, pelo vazio que ficou em meu quarto, em meu coração.
Às vezes eu acho que dizer adeus foi o melhor que poderia acontecer em uma situação onde só um amava e o outro odiava.
Odiava não poder mais corresponder o amor que eu sentia loucamente, odiava não poder mais me dar as mãos e voar  sobre um céu de nuvens feitas de algodão doce.
Oh! Era tão doce, o nosso amor era tão doce e agora o que restou foi o gosto  salgado de minha lágrima.
Mas ele partiu por minha causa, eu nunca tive coragem de dizer que todo aquele amor era muito mais forte do que nós dois imaginávamos. Antes era uma aventura, na esperança de conquistá-lo, mas a covardia foi grande demais para não mostra-lo o meu coração e toda a intensidade que vibrava dentro dele.
Agora ele está quebrado, como cacos pelo chão, enquanto choro na esperança de fazer com que tudo volte ao normal.
Sorrindo, tentando enganar a mim mesma...


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