18 setembro, 2013

A Última Queda

Eles nunca verão, eu nunca serei
Eu lutei e lutei para alimentar essa fome
Queimando profundamente dentro de mim

Mas através das minhas lágrimas quebra uma luz cegante
Nascendo o amanhecer para essa noite sem fim
Braços estendidos, me esperando
Um abraço aberto sobre uma árvore sangrando

Lies, Evanescence



Tudo isso é ilusão!
 Não há queda para aqueles que já estão caídos... 
Mas, se você quer continuar se iludindo achando que a escuridão será a sua salvação, eu lavo minhas mãos. Ao menos você admite que a luz não está ao seu alcance. Pois mesmo que pudesse, seu orgulho é pernicioso demais para que rasteja até ela.

Você estava sempre a dizer: Essa será minha Ultima Queda!
 Em busca da vingança, em busca da felicidade em ver as lágrimas de seus súditos rolando, e de algo que nenhum humano mortal poderia alcançar: a perfeição.
Por isso, sempre se comparava há um anjo, anjo que perdera as suas asas, anjo que chorava em meio a chuva das alegrias alheias...

Por que o mundo precisa se incomodar com a felicidade dos outros?
Qual difícil é se alegrar em ver o próximo ao seu lado, feliz?

Não, não é sua Última Queda anjo. Você não tem céu para que caia. Você só tem o chão e a escuridão.
Quem caí, caí daquilo que era luz um dia. 

Lágrimas de amargura rolam de sua face, por saber que nada em sua vida foi verdadeiro. Só mentiras e mentiras...
Mesmo criança, inocente, você se projetava as sombras das pessoas que eram felizes. Sempre incapaz de ser feliz consigo mesma. De se alegrar com o que tinha.

Nada era suficiente! Nunca seria...

Suas alegrias eram momentâneas, pois, suas alegrias eram baseadas na queda de alguém.
Esse tipo de alegria não dura muito, pois não são verdadeiras, são ilusões que refletem para ti como um espelho, devolvendo-a toda a sua verdadeira faceta assustadora.

Espelhos se quebram, minha Rainha má. Sua beleza não tem ternura... É passageira.
Seu sangue não é vermelho vivo como a maçã envenenada. Ele é mais negro do que a floresta ameaçadora que virou moradia em seu coração.

Sabedoria? Isso é tolice...
 O túnel de lamúrias não contém luz verdadeira em seu final... São só fleches de uma mente inconsequente, de uma visão alucinante.
Pois a escuridão que habita em seu coração, foi escolhida por ti. Como poderia haver luz verdadeira?

Você trairia seu amor, trairia sua dignidade mascarada só para conseguir aquilo que almeja.
É fato que o seu coração está na floresta, e o sangue na neve que o fez derramar, mostra-lhe o fato de ser diferente. Pois, seu mundo é sem cor, insipido e vazio. E como você mesmo admitiu um dia; este é o seu lugar.
Bem vinda ao lar, Rainha Má!

O espelho está quebrado, suas asas foram arrancadas, seu grito ecoa nas montanhas, mas ninguém te ouve.

Entre os cacos, você tenta se olhar, para ter certeza de que ainda está lá. Mas é inútil, sua imagem não reflete mais em nada. Até o espelho te enganou.
 Ao seu redor, penas de suas asas encontram-se negras...
Seu coração dispara.
O que você fez?

Esse não pode ser seu fim, não é mesmo?
Mas o que fazer quando mais ninguém a vê ou a escuta.
Você sussurra baixo para si mesma, e não consegue escutar o som de sua própria voz.
Em desespero grita, mas sua garganta se fecha, e sua agonia aumenta.

Não consegue se ver, não consegue ouvir você mesma...

Você deixou de existir a muito tempo, só não se deu conta, pois isso é viver na escuridão.
Escuridão não é nada mais e nada menos do que a ausência de tudo o que Deus criou. Então, deste jeito só lhe resta o nada.

Lamentando por não ter sido culpa de ninguém ter permanecido no chão, lamentando por ter sido você mesma a causadora de sua própria destruição.

Lamentando por nunca ter valorizado sua existência, lamentado por nunca ter sido grata!