Conversa Sobre o Tempo

→ Com Luis Fernando Veríssimo, Zuenir Ventura e Arthur Dapieve


Acho que meus leitores já devem ter percebido a paixão assídua que tenho para com a literatura brasileira e suas influencias. Afinal, dediquei-me ao me formar nelas.

Com o livro "Conversa sobre o tempo" não foi diferente; deparei-me com um senário da língua de uma forma espetacular, uma conversa entre dois amigos acompanhada pelo jornalista Arthur Dapieve como entrevistador.

Para começar o que mais me chocou foi o quanto os escritores se sacrificaram em prol dessa obra, ambos indo para uma fazenda com a missão de discutir assuntos sobre a vida e o cotidiano, assuntos sobre o tempo.

O livro se divide em 4 partes, (retirando a linda apresentação de Dapieve), mas a conversa mesmo começa falando sobre a "Amizade e Família", seguindo depois dos temas: "Paixões", "Política" e por fim "Morte".

Confesso que ri, emocionei-me, chorei, desacreditei, acreditei, aprendi, descobri e me apaixonei...
Ufa, foram muitas emoções em um livro só.
O modo como eles encaram a vida, destemidos e maduros. A forma que conseguem desfrutá-las mesmo em idade avançada, fez-me ver o quanto de nós jovens desperdiçamos nossas juventudes com futilidades desnecessárias, afinal; desde quando futilidade é necessária?

Ri alto quando o Zuenir falou que o Luis Fernando havia escrito uma crônica e foi entendida pelo sujeito de modo completamente diferente. E me lembrei das formas em que as pessoas tomam as minhas crônicas "fictícias" para elas de maneiras erradas. Foi hilário, mas aliviante saber que grandes mestres também passam por esses constrangimentos de vez em quando.
Diversos assuntos das quais possam imaginar foram citados na conversa. Senti-me como se estivesse lá participando, rindo e me emocionando diante de tantas experiencias e inconstâncias ditas.
Os valores que aprendi desde pequena, estavam lá, escritos. E me orgulhei de ter seguido a risca cada um deles, mesmo que estivesse escorregado pelo caminho, afinal, ninguém é perfeito ou feito de ferro.
No fim, deparei-me com uma frase de Luis Fernando Veríssimo ao ser perguntado como ele queria ser lembrado após sua morte; e ele disse:

"Eu gostaria de ser lembrado como um cara decente. Um cara decente como foi meu pai (Érico Veríssimo), decente em todos os sentidos da palavra. E que, sei lá, tocava um blues respeitável."
Ao ler esse ultimo trecho do livro, debulhei-me em lágrimas, afinal Luis Fernando estava doente em um hospital a pouco tempo atrás. Mas, agora finalmente todo esse pesadelo acabou.



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